(Artigo Tribuna das Ilhas - 10/02/2012)
Ouvimos falar neste conceito
frequentemente. O empreendedorismo pode ser descrito como a atitude de quem,
por iniciativa própria, realiza acções ou idealiza novos métodos, com
o objectivo de desenvolver e dinamizar serviços, produtos ou
quaisquer actividades de organização e administração.
A gravíssima crise que atravessamos
não se poderá resolver apenas à custa da imposição de medidas gravosas aos
cidadãos, mas principalmente através de medidas que incentivem o crescimento
económico.
A atual crise internacional, com os
efeitos que a mesma tem tido ao nível do emprego, faz com que a aposta no
empreendedorismo assuma hoje uma importância crucial. Os próprios cidadãos,
principalmente os mais jovens, começam a ter noção dessa realidade e,
impregnados duma certa cultura de risco, que perceberam ter de fazer parte do
nosso dia-a-dia atualmente, lançam mãos à obra e criam o seu próprio emprego, com
base numa dinâmica assente na criatividade, na inovação e no conhecimento.
Acredito que se gera mais emprego,
dando oportunidades às populações de criarem o seu próprio emprego. Por isso, o
empreendedorismo é uma matéria essencial. Devem ser ministrados conceitos de
empreendedorismo aos nossos jovens desde a idade escolar, para os mesmos serem
capazes de criar novos negócios ou de
desenvolver novas oportunidades em organizações
já existentes, agindo sobretudo em ambientes de forte competitividade e constante mudança.
Só assim crescerão com a vontade de concretizar
projectos, muitas das vezes extremamente interessantes e rentáveis, para o
tecido económico regional.
A noção de empreendedorismo gira à
volta de três ideias fulcrais: oportunidade, risco e recompensa.
Devem ser promovidas estratégias de transição para a vida
ativa sobretudo junto daqueles que apresentam um percurso escolar menos próximo
do tecido empresarial, com o objectivo de fazer com que os jovens cheguem ao
mundo do trabalho com o máximo de possibilidades de emprego, com capacidades próprias,
ativas, de encontrar emprego, ou seja, dotá-los de uma maior empregabilidade,
potenciando um melhor conhecimento do tecido empresarial.
Realço a importância que assumem os programas de valorização de
adultos com poucas qualificações, dotando-os de competências de forma a
conseguir integrá-los no mercado de trabalho e também os programas de estágio
para os jovens, que assumem uma importância fulcral nos nossos dias.
Nesta linha, foi recentemente apresentado na
nossa ilha, o programa "Formar para integrar", destinado a
beneficiários do rendimento social de inserção, e que tem como objetivo a
formação dos mesmos a fim de conseguirem criar o seu próprio emprego e torná-los
mais competitivos no mercado de trabalho.
Temos também o caso do "Faial Pleno
Emprego", um programa inédito na Região que, com a colaboração de diversas
entidades, contribui para a criação de emprego sustentável, promovendo a
criação de novos empresários agrícolas e o crescimento da produção agrícola
local, reforçando assim a autossuficiência alimentar da nossa Ilha.
No Faial existem vários exemplos de pessoas
com visão empreendedora, nomeadamente jovens, com projetos interessantíssimos e
com capacidade de gerar retorno económico. Podemos dizer que, apesar da grave
crise que atravessamos, o empreendedorismo jovem está bem vivo na ilha do Faial.
Referimos, entre muitos outros exemplos, os recentes investimentos privados
realizados nas áreas da saúde, estética e atividade física, em empresas do
setor alimentar, em empresas de turismo e desporto na natureza, de diversão
noturna e em novas atividades marítimo-turísticas.
Congratulo-me com o facto de haver pessoas que
acreditam na nossa terra e que apostam na mesma. Aproveito para fazer um apelo
aos jovens açorianos que estão a estudar noutras paragens que tenham a coragem
e a ambição, tendo obviamente o apoio necessário, para regressarem, com novas
ideias e projetos, e não sigam o conselho de alguns que como solução pouco mais
têm para apresentar que a porta da emigração!
Horta, 7 de Fevereiro de 2012
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