Artigo Tribuna das Ilhas (15/03/2013)
I - Tripolaridade
Quem vive nestas 9 ilhas sabe que a nossa autonomia se baseia num
desenvolvimento harmonioso das mesmas. Os Açores são constituídos por 9 ilhas e
todos e cada um dos açorianos conta e tem de contar. Perguntará quem nos
conhece menos bem: mas não é extremamente caro dotar 9 ilhas de infraestruturas
para assegurar as necessidades das populações? Infraestruturas como escolas, estabelecimentos
de saúde, portos, aeroportos? Sim, é muito caro! Sim, gasta-se muito mais
dinheiro, mas a nossa realidade arquipelágica a tal obriga e quem conhece estas
paragens sabe que só assim se pode entender a açorianidade.
A Universidade dos Açores (UAç) desde sempre compreendeu que a
tripolaridade da sua estrutura, trazia mais vantagens do que perdas, tanto para
os Açores, como para a própria Universidade, contando com 3 pólos, nas ilhas de
S. Miguel, Terceira e Faial.
Agora, fruto da conjuntura económica que atravessamos, ouve-se falar
numa concentração dos serviços em S. Miguel. Apesar do Reitor da UAç já ter vindo a
público dizer que não se pretende fechar nenhum pólo, certo é que não se ouviu
as forças vivas do Faial a defender o Departamento de Oceanografia e Pescas
(DOP) com unhas e dentes. O Governo da Republica como principal responsável
pelo ensino superior em todo o País, tem que compreender a nossa realidade
arquipelágica e ultraperiférica. O Governo Regional tem que fazer ver que este
não é o caminho, criando ao mesmo tempo condições ao funcionamento da UAç, como
é exemplo a proposta anunciada de atribuir um euro por cada euro de receitas
que a UAç angarie em projetos. Os faialenses têm de estar na linha da frente na
defesa da tripolaridade. O DOP é o pólo da UAç que detém a primazia da
investigação científica. O trabalho que por lá se faz é de renome e excelência,
reconhecido internacionalmente e que em muito prestigia os Açores, sendo uma
ferramenta essencial para o nosso desenvolvimento no setor do mar e pescas.
O DOP traz mais-valias para a nossa ilha que é impossível de olvidar,
para além do que, só faz sentido que o DOP esteja fundado
na ilha do Faial, pelo cariz marítimo que a nossa ilha tem.
Como faialense não
posso deixar de me espantar com o silêncio “ensurdecedor” das forças vivas do
Faial quanto a esta matéria, pelo menos até à data em que escrevo estas linhas.
Temos de gritar alto e bom som: Os Faialenses são contra o fim da
tripolaridade! Os Faialenses lutarão pela manutenção de todos os serviços do
DOP na Horta, pois esta é uma estrutura que nos orgulha, pelo seu peso na
investigação científica a nível internacional, pelo corpo de excelência que lá
desenvolve o seu trabalho, pelo impacto benéfico que tem na economia da ilha,
pela inegável dinamização que traz à nossa sociedade!
Assim, deixo o apelo:
Unamo-nos todos na defesa da tripolaridade da UAç.
II – Um novo Papa
No dia em que escrevo
estas linhas inicia-se o Conclave para decidir quem será o próximo Papa que
presidirá aos destinos da Igreja Católica. Bento XVI tomou uma decisão pouco
comum no seio da Igreja Católica, decisão que não posso deixar de enaltecer.
Alguém saber retirar-se quando ainda o pode fazer, optar por fazê-lo, e neste
caso, em pleno uso de todas as suas faculdades, é demonstrativo que Bento XVI,
apesar de ser um Papa pouco carismático, tendo em atenção o seu antecessor, foi
sem dúvida um grande Homem, ao tomar tal decisão.
Como católica que sou,
penso que a Igreja tem de inovar-se e principalmente renovar-se. Inovar-se no
sentido de fazer aproximar os seus crentes, deixando de insistir em ideias
ultrapassadas, que aos olhos de muitas pessoas, tornam a instituição demasiado
insípida e até difícil de seguir em alguns casos. Penso que a decisão de Bento
XVI foi também um sinal de inovação da instituição. Renovar-se, deixando para
trás, e até banindo do seu seio, membros cujos comportamentos, infelizmente, em
nada dignificam a Igreja Católica, sendo até alguns puramente criminosos. Não
sei se quando este escrito for publicado já haverá um novo Papa, mas espero que
a decisão recaia em alguém que possa encarnar, sem medos, os mencionados
conceitos de inovação e renovação.
Horta, 11 de março de 2013
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