I. O resgate da banca
espanhola
A banca espanhola foi alvo de um resgate de 100 mil
milhões de euros. No entanto, o Governo espanhol refere-se a este fato como uma
"linha de crédito", tendo
mesmo dado a entender que as condições do empréstimo seriam mais vantajosas que
as dos outros países resgatados. Segundo o que foi dito, o acordo “não terá condições adicionais em termos de austeridade ou
mais reformas”.
Efetivamente o resgate espanhol atenta apenas na sua
banca e não em toda a economia espanhola, no entanto o devedor do resgate será
o Estado.
Mas se os
bancos recebem ajuda europeia e depois o Governo, a fim de se financiar,
recorre à banca, então haverá necessariamente um resgate à economia espanhola.
Ainda não são conhecidos
todos os pormenores deste resgate, mas o nosso Primeiro Ministro veio afirmar
que não solicitará uma renegociação do plano de ajuda externa a Portugal,
precisamente o contrário do que fez a Irlanda, mal se soube do resgate à banca
espanhola.
No entanto, posteriormente,
veio alterar um pouco o seu discurso, dizendo então que o Governo português
estará "atento" às
condições impostas ao país vizinho.
Efetivamente as condições
específicas do resgate à banca espanhola não são ainda totalmente conhecidas,
mas uma coisa é certa: os países da UE devem/têm de ser tratados de forma
igual. Isso mesmo está estipulado nos seus Tratados fundadores.
II. A teimosia de Pedro Passos Coelho
É de relembrar que o prazo
espanhol para o cumprimento do déficit
imposto pelas instâncias europeias foi alargado por mais um ano. O nosso não!
Quanto tempo demorará mais este Governo da República a perceber que o nosso
prazo terá também de ser renegociado? Quando o acordo com a Troika foi firmado,
há mais de um ano, a situação era diferente da atual. Ora, se estamos perante
condições mais adversas atualmente, devem ser igualmente alteradas as condições
do acordo inicial. Só assim será possível aos portugueses respirarem um pouco
melhor e ajudar a inverter a tendência recessiva. Precisamos de medidas de
crescimento económico e de combate ao desemprego. De medidas para atrair
investimento externo.
A austeridade cega está a matar a economia
portuguesa. Senão vejamos:
Este Governo está em funções
há um ano. Afirmou que 2012 seria o ano da mudança da trajetória da economia. O
que mudou em Portugal desde então? Apenas alguns exemplos mais significativos:
a)
No segundo trimestre de 2011 o desemprego em
Portugal era de 12,1%. Hoje é de 15,2%;
b)
A subida do IVA da restauração de 13% para 23%
levou ao desaparecimento de 33.000 empregos nesta atividade;
c)
Houve um aumento de 47% de falências entre o
primeiro semestre de 2012 e o mesmo período do ano anterior;
d)
Os juros da dívida passaram num ano de 9,72% a
dez anos (taxa de referência), para 11,94%.
e)
As receitas do estado diminuíram, apesar do
severo aumento de impostos, e a despesa do Estado aumentou;
f)
Os salários dos portugueses foram reduzidos
significativamente;
g)
O endividamento externo cresceu;
h)
Os recentes dados da OCDE (junho) apontam para
uma deterioração da atividade económica Portuguesa no segundo semestre de 2012.
III. E nos Açores?
Por cá os pares açorianos
desta governação laranja aprovam a estratégia do País, porventura querendo aplicá-la
na Região. Ficam mudos e calados quanto ao que se passa com a RTP-Açores, fruto
duma decisão da República, e mudos e calados permanecem quanto à nossa
Universidade. Reagem, tardiamente, e apenas quando espicaçados, ao fecho de
tribunais e serviços de finanças nos Açores, numa tentativa de ficarem bem na fotografia a nível regional, quando efetivamente nada fazem em concreto para
que tal não aconteça. Quando questionados sobre uma eventual intervenção com o
Governo da República da mesma cor partidária, refugiam-se na desculpa que não
governam nos Açores!
São estas as pessoas que
queremos a dirigir o futuro da Região? Não! Estas pessoas são as que estão do
lado de decisões que prejudicam os Açores e, por conveniência ou por falta de
capacidade de influência, vão passando pelos dias sem medidas
concretas que se traduzam numa melhoria das condições de vida dos Açorianos.
Horta, 12 de junho de 2012
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