(Artigo Tribuna das Ilhas - 15/07/2011)
Inicio hoje a minha colaboração neste jornal semanal da nossa ilha. Tentarei através da mesma fazer passar a minha opinião sobre os mais diversos assuntos do nosso dia a dia, esperando que a mesma se revele pertinente e esclarecedora.
Fui candidata pelo PS/Açores à Assembleia da República na ilha do Faial. Não me deterei na análise dos resultados até porque o tempo voa e o que realmente interessa aos açorianos, e aos faialenses em particular, é saber como uma nova forma de governar poderá afectar o nosso País.
No entanto, não posso deixar de trazer à colação o facto de a crise que experienciamos, fruto de uma desregulação dos mercados a nível mundial, ter afectado seriamente a forma como os cidadãos viam o último Governo na República, que tomou decisões, muito difíceis de tomar, é certo, com um impacto concreto na vida dos portugueses, o que se traduziu obviamente nos resultados das eleições legislativas nacionais.
Aproveito ainda a oportunidade para parabenizar a deputada eleita pela ilha do Faial à Assembleia da República, fazendo votos que faça sempre o melhor pela nossa terra.
Foi então eleito um novo Parlamento, do qual saiu um novo Governo da República.
Aquando da apresentação do programa do Governo foi anunciado um imposto extraordinário, que seria de 50% do subsídio de Natal dos portugueses, mas que afinal, mais tarde, vieram dizer não incidir sobre o subsídio de Natal mas sobre todo o tipos de rendimentos já englobados no IRS. Ou seja, rendimentos de trabalhadores dependentes e independentes, pensionistas, titulares de rendimentos comerciais, industrias e agrícolas, rendimentos prediais e mais-valias. No entanto, escapam à sobretaxa os ganhos que os accionistas retiram das empresas e os juros recebidos pelos depósitos, títulos de dívida e unidades de participação.
Diz o Governo que vai arrecadar cerca de 800 milhões de euros, directamente do bolso dos Portugueses, com esta medida, baseando-se em estimativas que ainda não foram bem explicadas. Por seu lado, diz a Confederação de Comércio e Serviços de Portugal, que o comércio, com destaque para o tradicional, deverá perder entre 500 a 600 milhões de euros com a diminuição de rendimentos das famílias na altura do Natal, provocada pelo novo imposto extraordinário anunciado pelo Governo.
Então ganha o Governo, perde o comércio!! É a chamada "pescadinha de rabo na boca", que nos faz questionar: qual a mais valia para o País?
Foi este 1.º Ministro que garantiu, ainda no decorrer da campanha eleitoral, que, apesar de não conhecer bem as contas públicas, havendo necessidade de aumentar mais impostos a subida seria sempre nos impostos sobre o consumo e nunca nos impostos sobre o rendimento das pessoas e, na primeira oportunidade, vem anunciar um imposto extraordinário sobre o rendimento da forma mais atabalhoada possível. O que os portugueses querem saber é como é que esse imposto se vai concretizar! (à data que escrevo estas linhas tal facto não tinha ainda sido esclarecido).
Recordo ainda que um dos argumentos utilizado pelo actual 1.º Ministro para chumbar o PEC IV foi o de que os portugueses não suportavam mais cortes nos seus salários e pensões e, repito, na primeira oportunidade, vem impor mais e mais sacrifícios.
No entanto, esta medida apresentada pelo novo Governo não coibiu a agência de notação Moody’s de cortar o rating de Portugal em 4 níveis para “lixo”. Afinal o problema não era a suposta falta de credibilidade do anterior governo, como alguns apregoavam, mas algo bem mais complexo e que abrange toda a Europa.
Devo referir que estes ataques ao nosso País por parte de agências de notação financeiras merecem um sério juízo de reprovação, como aliás já o mereciam anteriormente.
Portugal está a beneficiar dum programa de ajuda externa que se deve esforçar por cumprir. Urge continuar na senda de colocar as contas do País de saúde! As finanças portuguesas estão doentes, Portugal e a Europa não se encontram numa situação de normalidade. Atravessamos uma crise, com a adopção de medidas de austeridade difíceis para os portugueses. Para tal todos devem trabalhar para esse objectivo comum, tanto o País, como as instâncias europeias das quais Portugal faz parte. Pena é que alguns só agora se tenham capacitado disso.
Sem comentários:
Enviar um comentário