(Artigo Tribuna das Ilhas - 09/09/2011)
Na semana passada os açorianos foram confrontados com uma triste decisão do Governo da República: as emissões da RTP-Açores passam a ser de 4 horas diárias.
No dia em que escrevo estas linhas, ficámos a saber, após reunião do Secretário Regional da Presidência com o Presidente do Conselho de Administração da RTP, que afinal manter-se-á o horário de funcionamento da RTP-Açores, mas com uma concentração da produção local das 19 às 23 horas. Em que é que ficamos?
Infelizmente para todos nós, os receios trazidos a público por parte do PS-Açores, na última campanha eleitoral para as legislativas nacionais, confirmaram-se. Estamos perante um ataque sério à nossa autonomia!
O Ministro Miguel Relvas comunicou aos deputados, e ao País, esta fatídica decisão, numa comissão parlamentar da qual, por acaso, até faz parte uma deputada eleita pela nossa ilha.
É lamentável a forma como o Sr. Ministro fala dos Açores, usando expressões, que apenas demonstram uma falta total de conhecimento da nossa realidade autonómica e arquipelágica. Diz o Sr. Ministro "...os Açores não são mais nem menos que uma qualquer região mais desertificada do Continente”…Os Açores, Sr. Ministro, são compostos por 9 ilhas! Do Corvo a Santa Maria distam mais de 630 km, ou seja, os açorianos do Corvo estão mais longe dos açorianos de Santa Maria, que os portuenses dos algarvios. No entanto, somos todos açorianos e todos temos os mesmos direitos! A RTP-Açores é um veículo que liga as nossas ilhas. Através dela os açorianos do Corvo sentem-se mais perto dos açorianos de Santa Maria, os faialenses podem saber o que se passa na Graciosa, e por aí fora, e assim, estamos todos efectivamente mais próximos, o que ajuda a transpor a barreira física que nos separa, o imenso Mar.
Mas não só os açorianos que residem nos Açores se sentem mais próximos e em contacto com a nossa realidade, como a RTP-Açores vem aproximar a nossa terra das comunidades emigrantes, cujo número é maior que os próprios açorianos que cá residem. É sabido o papel relevantíssimo que tem a nossa televisão junto da diáspora. Tanto assim é, que o Conselho Mundial das Casas dos Açores manifestou descontentamento com a decisão anunciada, considerando-a “lesiva dos interesses do povo açoriano”.
E diz o Sr. Ministro que tem uma "visão dinâmica" da autonomia! Eu qualificaria a visão do Ministro de francamente redutora, por puro desconhecimento da nossa realidade!
A RTP/Açores emite 8.736 horas por ano, das quais 6.734 horas são da directa responsabilidade do Centro Regional, sendo 4.680 horas da área de Programas e 2.054 horas da Informação.
Programas e profissionais de grande qualidade. O que lhes acontecerá com 4 horas de programação regional? O que será de programas, muitos deles em directo, que acompanham o dia a dia do nosso Povo como "Bom dia", "Prova das 9", "O Estado da Região", "Estação de Serviço", "Águas Vivas", "Atlântida", "Parlamento", entre tantos outros? O que será dos diversos documentários de produção regional que falam do nosso Povo, como por exemplo "Os nomes da nossa gente", "Ilhas Míticas" e "Mar à vista"? O que será dos directos que nos habituamos a ver das diferentes ilhas, como o Dia da Região, o desfile da Semana do Mar ou o Senhor Santo Cristo dos Milagres? Mas uma questão que também me preocupa é: que acontecerá aos profissionais que aí trabalham? Porque não se pode fazer ninguém acreditar que serão necessários os mesmos profissionais existentes actualmente quando serão transmitidas apenas 4 horas diárias de produção regional.
O Governo da República tem certas obrigações perante as Regiões Autónomas: esta é uma delas. O contrato de concessão do serviço público de televisão prevê serviços de televisão próprios para as Regiões Autónomas. Ou o estabelecido no contrato é para esquecer?
O Governo da República baseia esta sua decisão num argumento economicista: a RTP-Açores custa muito dinheiro. Ora, segundo o Correio dos Açores " No ano passado a RTP gastou 114,2 milhões de euros em custos de grelha (mais 6% que no ano anterior), o que dava para pagar a grelha da RTP-Açores durante quase um século!"
Aguardamos todos um comentário da líder do PSD-Açores, que à data em que escrevo, ainda não se pronunciou. O seu silêncio é ensurdecedor e confrangedor, uma verdadeira machadada nos desejos da maioria dos Açorianos.
Mas interessa saber a posição dos deputados açorianos eleitos pelo PSD-Açores à Assembleia da República. No lugar de se pronunciarem em sede de comissão parlamentar, quando a medida foi anunciada, dirigiram posteriormente um requerimento ao Governo, questionando a intenção anunciada pelo Governo. Questionando?? Deviam era indignar-se, insurgir-se, protestar e reagir para defender os Açores e os Açorianos. Foi isso que andaram a pregar em campanha eleitoral, foi para isso que foram eleitos! Não deixem acabar com a RTP-Açores!
Horta, 05/09/2011
No dia em que escrevo estas linhas, ficámos a saber, após reunião do Secretário Regional da Presidência com o Presidente do Conselho de Administração da RTP, que afinal manter-se-á o horário de funcionamento da RTP-Açores, mas com uma concentração da produção local das 19 às 23 horas. Em que é que ficamos?
Infelizmente para todos nós, os receios trazidos a público por parte do PS-Açores, na última campanha eleitoral para as legislativas nacionais, confirmaram-se. Estamos perante um ataque sério à nossa autonomia!
O Ministro Miguel Relvas comunicou aos deputados, e ao País, esta fatídica decisão, numa comissão parlamentar da qual, por acaso, até faz parte uma deputada eleita pela nossa ilha.
É lamentável a forma como o Sr. Ministro fala dos Açores, usando expressões, que apenas demonstram uma falta total de conhecimento da nossa realidade autonómica e arquipelágica. Diz o Sr. Ministro "...os Açores não são mais nem menos que uma qualquer região mais desertificada do Continente”…Os Açores, Sr. Ministro, são compostos por 9 ilhas! Do Corvo a Santa Maria distam mais de 630 km, ou seja, os açorianos do Corvo estão mais longe dos açorianos de Santa Maria, que os portuenses dos algarvios. No entanto, somos todos açorianos e todos temos os mesmos direitos! A RTP-Açores é um veículo que liga as nossas ilhas. Através dela os açorianos do Corvo sentem-se mais perto dos açorianos de Santa Maria, os faialenses podem saber o que se passa na Graciosa, e por aí fora, e assim, estamos todos efectivamente mais próximos, o que ajuda a transpor a barreira física que nos separa, o imenso Mar.
Mas não só os açorianos que residem nos Açores se sentem mais próximos e em contacto com a nossa realidade, como a RTP-Açores vem aproximar a nossa terra das comunidades emigrantes, cujo número é maior que os próprios açorianos que cá residem. É sabido o papel relevantíssimo que tem a nossa televisão junto da diáspora. Tanto assim é, que o Conselho Mundial das Casas dos Açores manifestou descontentamento com a decisão anunciada, considerando-a “lesiva dos interesses do povo açoriano”.
E diz o Sr. Ministro que tem uma "visão dinâmica" da autonomia! Eu qualificaria a visão do Ministro de francamente redutora, por puro desconhecimento da nossa realidade!
A RTP/Açores emite 8.736 horas por ano, das quais 6.734 horas são da directa responsabilidade do Centro Regional, sendo 4.680 horas da área de Programas e 2.054 horas da Informação.
Programas e profissionais de grande qualidade. O que lhes acontecerá com 4 horas de programação regional? O que será de programas, muitos deles em directo, que acompanham o dia a dia do nosso Povo como "Bom dia", "Prova das 9", "O Estado da Região", "Estação de Serviço", "Águas Vivas", "Atlântida", "Parlamento", entre tantos outros? O que será dos diversos documentários de produção regional que falam do nosso Povo, como por exemplo "Os nomes da nossa gente", "Ilhas Míticas" e "Mar à vista"? O que será dos directos que nos habituamos a ver das diferentes ilhas, como o Dia da Região, o desfile da Semana do Mar ou o Senhor Santo Cristo dos Milagres? Mas uma questão que também me preocupa é: que acontecerá aos profissionais que aí trabalham? Porque não se pode fazer ninguém acreditar que serão necessários os mesmos profissionais existentes actualmente quando serão transmitidas apenas 4 horas diárias de produção regional.
O Governo da República tem certas obrigações perante as Regiões Autónomas: esta é uma delas. O contrato de concessão do serviço público de televisão prevê serviços de televisão próprios para as Regiões Autónomas. Ou o estabelecido no contrato é para esquecer?
O Governo da República baseia esta sua decisão num argumento economicista: a RTP-Açores custa muito dinheiro. Ora, segundo o Correio dos Açores " No ano passado a RTP gastou 114,2 milhões de euros em custos de grelha (mais 6% que no ano anterior), o que dava para pagar a grelha da RTP-Açores durante quase um século!"
Aguardamos todos um comentário da líder do PSD-Açores, que à data em que escrevo, ainda não se pronunciou. O seu silêncio é ensurdecedor e confrangedor, uma verdadeira machadada nos desejos da maioria dos Açorianos.
Mas interessa saber a posição dos deputados açorianos eleitos pelo PSD-Açores à Assembleia da República. No lugar de se pronunciarem em sede de comissão parlamentar, quando a medida foi anunciada, dirigiram posteriormente um requerimento ao Governo, questionando a intenção anunciada pelo Governo. Questionando?? Deviam era indignar-se, insurgir-se, protestar e reagir para defender os Açores e os Açorianos. Foi isso que andaram a pregar em campanha eleitoral, foi para isso que foram eleitos! Não deixem acabar com a RTP-Açores!
Horta, 05/09/2011
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