(Artigo Tribuna das Ilhas - 26/08/2011)
No final do passado mês de Julho os faialenses receberam, via correio, um boletim informativo, o tal colorido a laranja, em papel de alta qualidade, e com uma tiragem de 6.000 exemplares, da responsabilidade do PSD-Faial, o que parece evidenciar uma capacidade financeira acima da média para a altura de dificuldade que todos experienciamos.
Pelos vistos o proliferar de ataques políticos nos jornais locais (uma das razões que me fez aceitar o convite de aqui escrever), a utilização das redes sociais e o sucessivo uso da rádio e televisão não eram suficientes.
No entanto, o bolso de cada a cada um diz respeito, pelo que passemos ao conteúdo. A política vive da capacidade de cada um fazer singrar as suas concepções e de conseguir passá-las para o lado do eleitorado.
E nesse combate político cada um luta da melhor forma que sabe, e com o melhor que tem. Ultimamente a forma que o PSD-Faial utiliza para o fazer é do mais populista que há, numa sede de poder injustificável.
Onde estão as ideias? Onde estão as pessoas? Pessoas novas que defendam as vossas ideias. Que isto de serem sempre os mesmos há mais de uma década diz muito da capacidade de renovação de um partido, da sua capacidade de agregar gente nova, com novas ideias, e que queira lutar por um futuro melhor para a nossa terra.
Onde estão as propostas? Neste boletim, conseguimos ler uma palavra positiva para o Parque Natural de Ilha do Faial. Ao menos aí conseguem reconhecer o excelente trabalho que está a ser desenvolvido pelos seus responsáveis, e que levou que o nosso Parque Natural fosse galardoado, a nível europeu, com o prémio Éden, que designa anualmente os Destinos Europeus de Excelência, sendo o nosso Parque Natural o primeiro ‘Destino de Excelência da Europa' em Portugal.
O que é necessário e fundamental para a credibilidade de um partido é que haja, acima de tudo, coerência. Não faz sentido nos Açores exigir ao Governo Regional a continuação em funcionamento de certas escolas, quando no Continente, o Governo de Passos Coelho anunciou recentemente que serão encerradas 297 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico, no próximo ano lectivo. O que dirá o PSD-Faial sobre isso? Provavelmente, nada! Tal como não disseram nada, quando os deputados eleitos pelo PSD-Açores à Assembleia da República votaram a favor da receita do imposto extraordinário cobrado nos Açores ir para o Continente, o que ademais levanta sérias dúvidas de inconstitucionalidade. Não disseram nada porque não há como justificar que os deputados eleitos por um partido para um órgão de soberania nacional, na primeira oportunidade, contrariem o seu próprio partido na Região.
Relembro os caros leitores, que a Comissão Permanente da Assembleia Legislativa Regional, onde estão representados todos os partidos com assento parlamentar, aprovou, por unanimidade, uma deliberação defendendo que a receita do imposto extraordinário cobrado nos Açores fique, obviamente, na Região.
O que se verifica nesta matéria é uma total descoordenação e incapacidade do PSD Regional em influenciar o PSD da República. Nem sequer consegue que os seus deputados, eleitos pelos Açores, defendam a região e votem em nosso favor, contrariando o que andaram a dizer ainda recentemente em campanha eleitoral. Quem não consegue gerir a sua casa numa questão aparentemente tão simples, pode criticar ou mesmo ter a veleidade de achar que está minimamente preparado para gerir a Região e defender os Açorianos? Mais uma vez o PSD Açores e o PSD Faial assobia para o lado, como se nada tivessem a ver com o assunto.
Quem lê este boletim fica com a ideia que tudo está mal no Faial. Com toda a certeza, nem tudo está bem. Mas, numa época como a que atravessamos, de forte constrangimento e medidas de austeridade, ainda são feitos grandes investimentos na nossa ilha, como a obra do Porto da Horta, orçado em 32 milhões de euros ou as obras do novo Bloco C do Hospital, que terão agora o seu início, e cujo investimento será de 11 milhões de euros.
Por outro lado, não posso deixar de sublinhar que, ao contrário do que pretende fazer passar reiteradamente o PSD-Açores, a Troika, na última reunião que teve com os Governos Regionais, veio confirmar o bom desempenho financeiro da nossa Região. Afinal as contas públicas açorianas estão de boa saúde, ao contrário das da Madeira, cujo buraco financeiro conta já com um défice de 277 milhões de euros (um dos principais responsáveis pelo "desvio" agora detectado que vamos pagar com um "colossal" imposto sobre o subsídio de Natal). Afinal a Região Autónoma dos Açores, conforme foi constatado pela Troika, contribui para equilibrar as contas públicas nacionais, enquanto que outras Regiões cooperam no resvalar das contas do país.
Afinal, a situação financeira dos Açores está controlada e devemos todos continuar a trilhar este caminho, e tentar sempre fazer mais e melhor, pelos Açores e por todos nós!
Afinal 277 milhões de euros de "buraco" na Madeira era uma brincadeira comprando com o que foi descoberto...são muitos, mas mesmo muitos mais!!!
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